Varejo tem crescimento nas vendas, mas inflação mostra necessidade de aproximação com indústria

O setor de comércio varejista no Estado de São Paulo registrou um crescimento superior a 10% em 2021, conforme aponta o balanço divulgado pela FecomercioSP. Somente em janeiro, as vendas totais apresentaram um aumento de 5,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse aumento foi impulsionado pela retomada do consumo nas lojas físicas, embora o varejo ainda enfrente desafios decorrentes da pandemia, que reduziu em pelo menos 25% a frequência dos compradores nos estabelecimentos. Além disso, as projeções indicam que a inflação pode representar uma ameaça significativa para o setor, superando consideravelmente a meta oficial deste ano, estabelecida em 3,5%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Os dados evidenciam a necessidade de eficiência por parte da indústria e do varejo em áreas como exposição, merchandising, comunicação e execução em geral, a fim de impulsionar os resultados quando os consumidores visitarem os pontos de venda (PDV). André Romero, diretor da Allis Comunicação, destaca a importância de uma aliança estratégica entre a indústria e o varejo, enfatizando a necessidade de compartilhamento de informações, alinhamento de estratégias e união de esforços.

Romero destaca que é no PDV que surgem oportunidades para identificar informações valiosas, capazes de alterar o posicionamento de produtos e superar as dificuldades causadas pela pandemia. Em um cenário onde muitas vezes a indústria trata o varejo apenas como um cliente, e não como um parceiro estratégico, é crucial ir além das relações comerciais. Ele ressalta que a chave para potencializar os negócios está em utilizar relações existentes, interdependentes e as informações já disponíveis para alcançar resultados positivos para ambas as partes.

A aproximação entre a indústria e o varejo oferece diversas vantagens. Um relacionamento sólido entre o trade comercial e o trade marketing dentro das empresas permite que essas áreas compreendam a importância mútua e percebam que a colaboração e o apoio mútuo resultam em desempenho superior, especialmente em tempos de crise e alta inflação, como os vivenciados após o período pandêmico.

Outro benefício está na possibilidade de estabelecer uma lógica de compra que abranja desde a residência do consumidor até a prateleira do estabelecimento. Dado que os consumidores têm um contato prévio com os produtos antes de irem fisicamente ao varejo, uma comunicação mais eficaz entre as partes possibilita antecipar esse contato, garantindo resultados mais positivos, aumentando as vendas e tornando as relações comerciais mais vantajosas.

Além disso, ao adotar uma postura pró-ativa em relação a essa tendência, a indústria se posiciona à frente da concorrência que pode estar atrasada na formulação de estratégias, evitando assim a necessidade de correr atrás do tempo perdido. Portanto, ao cultivar uma relação mais estreita com o varejo, a indústria não apenas se mantém no mercado, mas também reduz os impactos negativos da crise que tem se intensificado nos últimos anos.