Impulsionada pelos desafios dos últimos dois anos, a indústria brasileira está passando por uma reestruturação significativa, e a digitalização emerge como uma realidade crucial para o setor. Esse processo não se limita apenas à produção, mas também abrange o posicionamento de mercado, evidenciado pelo crescimento das lojas virtuais no modelo D2C, onde a indústria vende diretamente para o consumidor final.
Essa tendência é destacada pela pesquisa “Desafio da Indústria no E-commerce”, conduzida pela consultoria especializada em soluções para o segmento, Híbrido, em parceria com o E-commerce Brasil. O levantamento, que consultou diversas empresas no país, revela que as vendas online estão em ascensão, mas ainda apresentam espaço para desenvolvimento na esfera industrial. Atualmente, 26,9% das indústrias pesquisadas já possuem e-commerces há pelo menos quatro anos, enquanto 44,2% ainda não adotaram esse canal.

Para impulsionar a entrada nesse canal de vendas, a terceirização tem se mostrado uma estratégia eficaz para as empresas: 75,9% optam por desenvolver e manter a tecnologia relacionada ao e-commerce com parceiros especializados. Além disso, 31% dos negócios terceirizam os investimentos em estratégia e desempenho dessas plataformas.
Nicolas Marchewsky, diretor comercial e co-fundador da Híbrido, observa que buscar parcerias estratégicas tem sido fundamental para proporcionar à indústria a agilidade necessária nesse processo de expansão dos canais de vendas através do e-commerce. Essa abordagem torna os investimentos mais eficazes, eliminando a necessidade de formação e desenvolvimento de uma equipe interna especializada.
A principal barreira identificada é a adaptação da cultura da empresa para o digital, sendo um desafio para 37,9% das empresas. O gerenciamento de conflitos com outros canais aparece em segundo lugar, mencionado por 34,5% das empresas. O investimento é classificado como o terceiro desafio, com 34% dos votos, destacando a disposição para alocar recursos financeiros nesse sentido.

Marchewsky enfatiza que, na pandemia, investir em uma loja online própria foi uma das principais estratégias adotadas pela indústria para se reinventar e manter o fluxo de vendas, facilitando a abertura de investimentos. Ele conclui que a adaptação da cultura é um processo que se consolidará no médio prazo, impulsionado pelas parcerias estratégicas que demonstram resultados e fortalecem a transformação digital.
Além das barreiras mencionadas, torna-se cada vez mais evidente na indústria que a transformação digital e a experiência do consumidor caminham lado a lado. A adaptação a essa nova realidade não é mais uma opção, mas uma inevitabilidade para as empresas que almejam crescimento e ampliação de resultados.